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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Machado e eu


Tenho particular admiração por Machado de Assis, escritor brasileiro do final do século XIX. Machado é quase uma unanimidade no mundo das letras por sua genialidade, comparado em grande medida a escritores como Eça de Queiros e Dostoiévski. Mesmo que os critérios para seleção de boas obras sejam da ordem do poder, como apontou Harold Bloom e tantos outros, na verdade, o leitor, de qualquer tempo, é quem no final pode dizer, a partir de questões muito subjetivas ou objetivas de identificação e solicitação, qual obra ou autor deve ficar para a posteridade como "grande". Sem leitores, a obra é morta. Aliás, como as línguas humanas: sem falantes, não há língua.
Bom, Machado é para mim "grandioso". Por quê? porque sou professora de literatura? Não mesmo. Por que quero impressionar quem me ouve/lê, bancando a politicamente, ops, literariamente correta?Mil vezes não. O motivo é simples, como o são todas as coisas que realmente importam. Machado reflete uma certa melancolia que me encanta e um espírito que oscila entre a força e o desânimo. Tão parecido com meus sentimentos sobre tudo ... 
Divido a frase de Bento Capitolina em Dom Casmurro que não me sai da cabeça há dias: "[...] o interno não aguenta tinta". Mais uma das frases ácidas dos personagens machadianos, uma especie de conclusão sintética destruidora de qualquer esperança após alguma narração introspectiva da personagem. Nessa em questão, Bentinho é um "velho" que quer se justificar diante do leitor. Suas conclusões são difíceis. Não é possível recuperar o passado. Retomar sentimentos e experiências que ficaram para trás. "Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente". E conviver consigo mesmo é uma realidade às vezes penosa. Podemos enganar os outros, lidar com a perda daquilo que é externo a nós, podemos, ainda, fantasiar e disfarçar uma série de coisas, mas é impossível, segundo Bentinho, enganar-se, pois não há tinta interna que mascare o que realmente somos aos nossos próprios olhos.

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