As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

sábado, 12 de abril de 2014

para que viemos?

No evangelho de Marcos capítulo 1 iniciamos a leitura de uma narrativa vibrante e dinâmica sobre Jesus de Nazaré. Logo no início há uma preocupação com uma especie de continuidade de ações, já que para Marcos, Jesus inicia a sua pregação sobre o Reino após a retirada de cena de João Batista. É o evangelho do filho de Deus com  toda a carga de situações miraculosas e extraordinárias que devem envolver um tipo de aproximação do Sagrado. 
Uma pergunta fortuita dos estudos sobre Jesus nos evangelhos, sobretudo em Marcos, é se ele teria plena consciência de quem ele era. Gosto de afirmar que, assim como Paulo, e a maior parte dos adultos autoreflexivos, Jesus tinha uma profunda consciência de sua missão, do seu lugar no mundo. Sei que as identidades estão sempre em processo, mas na fase adulta, parece que não construímos o-que-há-de-vir do nada. Parece, pelo menos pra mim, que vamos agregando por seleção ora consciente, ora não, aquilo que mais se afina com o que já somos agora.
Tenho também uma intuição de que essa consciência do que somos, logo, para onde nos encaminhamos na vida é fundamental para nossa saúde. Apesar de cada dia ser novo, apesar de cada momento ter novas solicitações, apesar da flexibilidade dos nossos planejamentos internos e externos. Há algo perceptível que nos move. Talvez dinheiro, poder, sucesso, sexo, família, religião, política, entre outras zilhões de possibilidades. 
Jesus, em Marcos, tinha algumas certezas fundamentais. No versículo 38 do capítulo 1, afirma para os discípulos: "foi para isso que eu vim". No contexto: pregar o evangelho e curar as pessoas de suas mazelas. Trocando em miúdos, Jesus veio para os outros. Para mim e para meus colegas do ministério pastoral isto é um pouco desconcertante. Uma existência inteira dedicada aos outros é algo realmente desafiador. Se a resposta de Jesus não faz eco em alguns (ou todos) os momentos de nossa vida, transformar a afirmação em pergunta já alimenta por si só muitas noites de insônia.
                        

Nenhum comentário:

Postar um comentário