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terça-feira, 8 de abril de 2014

Vozes que clamam fora do deserto ?


 Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Isaías 40
Lendo o livro "Profetas e profetisas na Bíblia" de Jacir de Freitas Farias parei no trecho relativo à João Batista. Personagem ícone de um tipo específico de profetismo no ambiente do judaísmo, João precisa ser constantemente visitado. Nos evangelhos canônicos, João Batista tem especial destaque em Lucas. Ganha status similar a Jesus nas narrativas de nascimento, apontando sua importância ou uma grande curiosidade para a comunidade lucana, visto que as histórias de Jesus e João se intercruzam. O livro de Jacir chama a atenção para o ser profeta no deserto. Não desce a fundo nessa questão, aliás, que merece ser investigada pela pesquisa bíblica (se já não o foi), já que, como disse, o deserto é parte integrante em João de um certo tipo de profetismo, talvez em ostensiva oposição às cidades e as suas instituições, ou ainda, como eco saudosista ( mas não menos militante) de uma experiência mais rural, familiar e simples.
O deserto nos mantém afastados da maioria. Influencia as pessoas, é claro, mas nos isola do convívio. Batista, por exemplo, tinha discípulos e tinha também uma influência junto ao povo temida por Herodes. No embate entre o profeta e a cidade, este profeta perde.

O texto de Farias gerou em mim uma suspeita tangencial. 
O que é ser profeta fora do deserto?  

O que significa viver misturado às gentes, todas diversas? O quanto de trabalho e de força precisa ter a mensagem profética de um oráculo imerso no mal, no burburinho, dentro das instituições mofadas e pernósticas do nosso tempo? De que forma resistir sem deixar-se perder?

Pra. Silvia Nogueira     

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