As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

cogito

Nos últimos 6 anos, tenho me preocupado em como serei lembrada. Parece uma estupidez alguém ainda jovem, em uma época de espetacularização e futilização da vida, ficar pensando no seu próprio "legado". Eu mesma questiono isso, inclusive porque talvez esse sentimento/comportamento revele uma autoimagem megalômana, como se minha vida tivesse importância vital para a humanidade. "Eu que sempre apostei na minha paixão"...Eu, que sempre achei que faria algo grande a ponto de entrar para a História. 
O divã explicaria muita coisa sobre mim. Mas resisto a ele motivada por uma racionalidade duvidosa sobre minha própria capacidade de verbalizar, racionalizar e nomear as coisas. Tenho mais confiança em mim do que nos outros. Sim, tenho uma desconfiança "natural". Sim, tenho um fortíssimo instinto de preservação que falhou apenas em dois momentos na minha história. Um, amoroso; outro, profissional. A estes dois momentos eu reputo a perda na crença nos "truísmos". Perder a inocência fratura a alma.
Para quem já leu "Grande sertão:veredas" de Guimarães Rosa, conhece bem a figura de Riobaldo. O que me impressiona no texto é como ele vai narrando sua história solicitando ao "doutor" ouvinte e a nós,  leitores, uma certa solidariedade com ele. Gosto do jeito como ele se justifica diante da memória de Diadorim, gosto do jeito como ele "investiga" sua história para tentar responder o irrespondível:"a gente vive pra quê?", "a quem responsabilizar pelo fracasso ou sucesso de nossa história?"
Um crente piedoso teria uma resposta direta para as duas questões. Não sou piedosa! Percebo, neste momento da minha caminhada, que é praticamente impossível uma ideia simples responder a questões complexas.

2 comentários:

  1. Olá querida Prª Silvia!

    Amei o texto, e principalmente a frase "Eu que sempre apostei na minha paixão"... Isso porque a meu vir, a paixão é que nos mantém vivos e com expectativas para o futuro. Se permitirmos que ela morra ou deixarmos de investir e apostar nela, seremos seres humanos opacos. Estamos cercados de humanos assim... não serei mais um.
    Continue tendo autoconfiança, mas não deixe de acreditar e confiar no outro, pois "a confiança é a cola que gruda os relacionamentos". Gostaria muito de ter aproveitado mais o tempo que passei aprendendo com você no seminário, mas o pouco que aprendi foi suficiente para me lançar na busca do conhecimento. Obrigada!

    Um abraço da aluna que te admira!

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  2. Olá Vânia,
    obrigada pelo comentário. A propósito da frase que você gostou, não é minha. É um verso da canção vencedora do festival da canção, cantada pela Leila Pinheiro. "Eu que sempre apostei/na minha paixão/guardei um país/no meu coração/um toque de luz, seduz a razão/de repente a visão da esperança/ quis, esse sonhador, aprendiz de tanto suor/ ser feliz , num gesto de amor/ meu país, acendeu a cor..."

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