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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

no meio do caminho tinham umas pedras...

https://bipolarcentrada.wordpress.com/2014/02/
Marcos 10, 32-45

A vontade de Deus nem sempre é nebulosa. Experimentamos e entendemos Deus aos poucos, mediante a abertura para entender e experimentar. Talvez seja essa gradativa (ou circular ou espiral) compreensão daquilo que Deus quer o fator mais inquietante da nossa experiência cristã, pois nos pegamos desejando que Ele escrevesse em letras garrafais e neon qual é o próximo passo. 
Tenho crido que a vontade de Deus em sentido amplo está harmonizada com a imagem que Jesus de Nazaré constrói sobre seu Pai. Liberdade ética, vivência responsável e comprometida com o próximo, amor, perdão, esperança e luta pela justiça são capilaridades dessa imagem. Traduzir essa complexa imagem identitária de Deus para as nossas relações e decisões nos coloca em consonância com a sua "vontade". 
O texto de Marcos 10, 32-45 é um convite para pensar sobre nossa caminhada à luz da imagem construída por Jesus, atendendo às expectativas dele a nosso respeito como discípulos e discípulas.
Jerusalém, para onde Jesus e os discípulos caminham, é a parada final para o Mestre. A essa altura, ele se prepara, e aos seus discípulos, para a consequência dos anos de ação e pregação do Evangelho do Reino. Ele conhece a resistência individual e coletiva às mudanças na ordem social e pessoal. A revolução interna e ética proposta é mais perigosa do que espadas. O mundo(oikos) não acolheu a mensagem de Jesus e o caminho esperado é a eliminação do portador (es) desse discurso.
O texto apresenta o medo e o espanto dos discípulos nessa jornada e o destemor e arrojamento de Jesus à frente deles. Cumprir a vontade de Deus tem consequências,  nem sempre positivas. Apesar desse cenário desfavorável, não cabe a disputa pelo poder interno, não cabe o desejo de se assenhorar do caminho, não cabe utilizar as armas e estratégias vigentes se elas estão a serviço da opressão e em desarmonia com a vontade de Deus. Cabe a clareza e determinação de Jesus em ir na direção da vontade de Deus, porque ele já está nela. Essa consciência produz a esperança na ressurreição, esperança no poder da vida sobre a morte. 
Entre nós, não deverá vigorar a lógica materialista, opressora, capitalista. Entre nós, o desejo de servir é, em última instância, o resumo daquilo que Deus espera de nós.

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