sexta-feira, 25 de maio de 2018

Tem muita gente fazendo o "jogo do contente"

O livro de Eleanor Potter é um clássico que desgosto muito. Quem o conhece sabe que a menina sofredora da história tem um jogo que serve para que ela suavize suas dificuldades e tragédias pessoais e a dos outros. A lógica é sempre pensar que em algum lugar do mundo pode haver alguém vivendo algo pior, ou, ainda, que sempre há coisas boas nas quais podemos concentrar nossa atenção. Este é um jogo mais jogado pelos brasileiros, devo dizer. E, ainda mais, pelos evangélicos de um modo geral. Temos o hábito de ao pensar dessa forma, com outras palavras e combinações, estamos demonstrando nossa resiliência ou nosso jogo de cintura ou nossa submissão a Deus. Difícil para mim, confesso sempre. Para mim, jogar como Polyana, o nome da menina, é esconder-se da verdade, em geral, dura e difícil. E, pior, evitar enfrentamentos, inevitáveis para mudanças de situação e é, por fim, uma forma suave, mas eficiente de alienação no sentido negativo da palavra.

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