As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

sábado, 3 de setembro de 2016

Alguém segure essa ordem

Em tempos de retrocesso  travestido de avanço,  é oportuno olhar para a  história.
No dia 26 de junho de 1999 fui examinada por um concílio de pastores que atenderam a convocação da igreja local, na periferia de São Paulo, nas dependências da própria igreja.  Visto que,  até aquela época, pelo menos,  a tradição conciliar dos Batistas reconhecia que o exame e a futura consagração do ministro era um processo comunitário,  assessorado e não protagonizado pelo Colegiado de pastores Batistas. Fui aprovada pelos colegas.  Em 10 de julho deu-se minha consagração e posse como pastora titular daquela comunidade de fé.
De lá para cá,  tenho transitado, como pastora Batista que sou, em muitas outras igrejas para além da PIB Campo Limpo.
Muita coisa mudou desde então, com maior ou menor importância.
Com cada vez mais frequência, ouço um questionamento sobre a autonomia da igreja e a soberania da mesma em sua relação com as instâncias institucionais que o conjunto das igrejas criou e mantém.
Minha batistice não permite demonizar as instituições em si, mas se inquieta toda vez com  que percebe que as mudanças propostas têm a aparência do bem,  mas são, no fundo, e às vezes explicitamente,  a tentativa de controlar processos individuais e comunitários.
Tutelar ministros e ministras já é um negócio temeroso,  mas criar um imaginário de que é a única forma legitimamente denominacional de ser pastor /a Batista é vil. E está a serviço das capilaridades da cultura dominante: branca,  letrada e viril.
A cereja do bolo indigesto desse momento é ver como alguns estão cordatamente concordando com esse discurso e essa tutela.  Na contra-mão da crescente indiferença que os colegas ministros tem dessa tutela institucional para suas vidas e ministérios.
Sou e serei uma pastora Batista legitimamente denominacional, assim como muitas colegas que vivenciaram outras formas de legitimação comunitária. Então, não pretendo ser filiada à ordem.  Minha submissão irrestrita, no entanto, a Jesus Cristo,  a sua Igreja, aos princípios Batistas e a minha própria consciência.

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