As opiniões deste blog não representam, necessariamente, o conjunto dos pastores batistas: homens ou mulheres.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

o medo das palavras

O medo das palavras é um medo antigo.
Palavras mudam realidades, causam revoluções ou as sufocam, promovem o bem ou o mal ou, ainda, uma zona indeterminada entre um pólo e outro da captura do Real.
Palavras nas mãos de idealistas, poetas e profetas, intelectuais e gente com poder, podem muito! Sim, podem muito!
Por isso, o medo das palavras é um medo antigo.
Um colega de ministério pastoral e amigo  tem escrito sobre "qual palavra você precisa para viver" , ideia extraordinária! pois coloca o leitor diante da reflexão sobre as palavras que amamos, precisamos, são inúteis ou tememos.
Nem sempre as palavras que tememos são ruins, trazem conteúdo negativo ou destruidor. Porque o medo não é apenas o medo do mal/mau. O medo tem muitas gêneses. 
O medo provocado pelo instinto de sobrevivência, pelo egoísmo e pela ganância às vezes temem palavras libertadoras. E o medo do desconhecido, então? o medo das mudanças que não controlamos e que irá nos desinstalar de alguma forma?
E o que podemos dizer do antigo medo das palavras que são utilizadas para rotular os sujeitos portadores de palavras divergentes?
 E, a mais terrível das reflexões, quando nós mesmos devemos nos questionar sobre o que fazemos com as palavras que escolhemos para viver, lutar e morrer.

Eu também tenho medo de certas palavras, mas das que eu não tenho - mesmo que causem a outros temor - elas parecem viver na minha garganta sempre dispostas a escapulir e fazer o percurso cuja volta é impossível.
O mundo foi feito pela linguagem. Este mundo continua sendo feito pela linguagem. Sou gratamente responsável por cada uma das minhas palavras, em especial, aquelas que incomodam a ponto de fazer ressurgir os antigos e autoritários medos.

2 comentários:

  1. Perfeito. Tendo sido o mundo feito por linguagem, palavras é de se esperar que alguns temam palavras de revolução. Quando houve esvaziamento de Deus a cada "haja", o mundo percebeu que quem tem poder de fato, não se preocupa e perder espaço para gerar vida. No esvaziamento produzido por tantas palavras o Eterno produziu vida sem se perder como Eterno. Lindo texto.

    ResponderExcluir
  2. Perfeito, Silvia. Isso nos leva a pensar no porquê o silenciamento é sempre a primeira iniciativa de quem não suporta o ouvir. Ao invés de ensurdecerem, tentam silenciar quem tem a palavra...

    ResponderExcluir